segunda-feira, 20 de julho de 2015

Nosso Bairro em Pauta: Com que roupa eu vou?

Quem nunca ficou na dúvida qual roupa vestir antes de sair de casa? Além de combinar as peças, é preciso saber como está o tempo, a temperatura, qual o melhor calçado, onde é que se vai ir. Escolher a roupa deve ser motivo de preocupação? Será que a roupa pode passar informações sobre a personalidade das pessoas? Existem peças que são mais adequadas para passear do que ir à escola? Por que os jovens costumam se vestir do mesmo jeito que os amigos? Essas são algumas das questões tratadas no Caderno Especial dessa edição. Vista uma roupa confortável e boa leitura! 

O que a minha roupa representa?
Entre camisetas, calças, blusas, bermudas, vestidos, casacos, blusões e outras variedades que possuímos em nosso guarda-roupa, escolher as peças para sair de casa não é uma tarefa fácil. Isso porque as nossas roupas transmitem diversas informações, desde o humor até a personalidade, com diferentes tamanhos, cores e estilos. “A moda é a expressão da realidade daquilo que realmente a pessoa sente, que corresponde a sua identidade e também expressa o que ela gostaria de ser, mostrando que moda também é um disfarce para pertencer a este ou aquele grupo”, destaca o doutor em Filosofia, professor Henrique Keske. 

Com esses grupos se dá a origem das inúmeras tribos urbanas existentes. Isso, ocorre principalmente na adolescência, quando os jovens utilizam os mesmos tipos de roupas, acessórios, calçados, criando assim uma identidade para o grupo. “Já tivemos diversas tribos, como os hippies, a época do baby boom, os rockers, os punks e assim se seguiu com o passar do tempo. Mas, hoje as tribos acabam se espelhando em pessoas famosas para seguir a tendência das roupas, o que era diferente na década de 60 ou 70”, comentou a professora Ida Helena Thon, responsável pela disciplina de História da Moda Brasileira. 

Mas para seguir essa moda das tribos, as pessoas precisam estar sempre atualizando as suas peças de roupas. A partir disso, faz com que o processo consumista exista desde a infância. “Estamos envolvidos em um processo cruel de consumismo e isto faz com que as crianças e os adolescentes estejam nessa pressão, pois se eles não usam uniforme, precisam acompanhar tendências de moda e ao fazer isto se desencadeia um processo consumista, por não conseguir acompanhar, as pessoas se sentem excluídos do grupo e para acompanhar, ingressamos num processo de consumo exacerbado”, ressalta Keske.

Para a professora Ida, a moda é uma característica de cada localidade. “Quando olhamos nas novelas os estilos de roupas utilizados pelos personagens, percebemos que cada um possui peças diferentes. Se olharmos para os nossos bairros, vamos descobrir que cada comunidade também tem as suas características, com roupas diferentes”, comenta. Isso representa que cada pessoa se veste de uma maneira diferente, mas no todo, cada um pertence a uma tribo.

O que os outros vão pensar?
Ao se aproximar a fase da adolescência, as crianças passam a discutir as escolhas feitas pelos pais. A partir do período da puberdade e das alterações fisiológicas, os jovens começam a questionar, construir e descontruir a sua identidade. Uma das formas de vivenciar essa construção de identidade é o jeito de se vestir.

A psicóloga e professora Juliana Rosa Pureza conta que é nesse período da vida que os jovens buscam identificação com outras pessoas, formando outros grupos além da família. “É através do jeito de se vestir que os adolescentes começam a quebrar com todos os padrões que estão sendo colocados de fora. Demonstrando que quer se vestir diferente do que se vestia antes, diferente do que a minha família coloca. Tentando se identificar com as outras pessoas”, salientou. Com essa mudança, os jovens passam a querer vestir-se igual ao seu grupo de amigos.

Também nessa fase, é comum os jovens se preocuparem com o que outros vão pensar sobre a roupa que estão vestindo. Juliana explica que isso se chama plateia assistida. “Essa preocupação se dá quando esse adolescente se sente exposto e observado por todos. Então antes de sair de casa pensa que todos estarão olhando a sua roupa, sendo mais um mito pessoal”, salientou.

Orientação aos pais
Com as mudanças ocorridas na fase da adolescência, cabe aos pais saber como lidar com as novas escolhas do vestuário dos filhos, oscilando entre o limite e a liberdade. A psicóloga Juliana orienta que é melhor os jovens passarem essa fase com o auxílio dos pais. “Se esses jovens puderem fazer isso através de conversas, para que esses pais aceitem essas mudanças, ajudarão esse adolescente a reconstruir a sua identidade. O mesmo ocorre com a escola, que através de conversas pode evitar conflitos com as roupas utilizadas pelos jovens dentro da instituição de ensino, ponderando os limites de forma amigável”, destacou. 

Em relação a roupa dos adolescentes, só proibir não adianta, é preciso dar espaço para essas novas escolhas, mas ao mesmo tempo acompanhar de perto para auxiliar nas decisões dos jovens. É necessário apoio e orientação, a fim de que os adolescentes possam usar roupas diferentes sem se expor, com a oportunidade de conhecer novos estilos, se desconstruindo para reconstruir a sua identidade novamente.

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