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terça-feira, 16 de dezembro de 2014 0 comentários

Jornal Nosso Bairro em Pauta: O tempo perdido na tecnologia

Ao perguntarmos para o aluno da Escola Affonso Penna, Guilherme Lindner, como ele organiza o seu tempo, ele respondeu: “De manhã faço meus temas, de tarde venho pra escola e de noite jogo no celular e no vídeo game”. Guilherme tem 10 anos, e assim como ele, são muitas as crianças que estão substituindo as tradicionais brincadeiras infantis pelo tempo junto aos jogos tecnológicos no computador, celular ou videogame.

“A tecnologia é uma ilusão muito grande em relação ao tempo, porque é verdade que nos aceleramos muito com os processos tecnológicos, mas para que eu possa me conectar, eu preciso ficar horas na frente do computador, completamente isolado. Não estou vivendo nem com a minha família, nem com os meus amigos em contato direto e nem realizando outra atividade de lazer”, salienta o professor Henrique Keske. Claro, que a tecnologia facilita as nossas vidas, o computador nos faz viajar pelo mundo, a televisão nos faz sonhar com as novelas e desenhos, com os jogos de videogame desenvolvemos uma imaginação gigantesca, a ponto de acreditarmos estar dentro daquele cenário. Mas até que ponto isso é bom para as nossas vidas?

A tecnologia não afeta somente o convívio social mas também a parte psicológica da pessoa. A psicóloga Michelle Ponzoni dos Santos comenta que podemos desenvolver diversos sintomas devido ao tempo excessivo com a tecnologia. “Sentimento de vazio, pela frustração derivada da ausência de contato humano autêntico, perda de sentido, pensamento não linear e sem controle, dificuldade de focar, abstinência, só sentir-se bem se em contato com a tecnologia”, todos esses sintomas podem desencadear depressão, ansiedade, irritabilidade, insegurança e entre outros.

Como evitar que esses novos tempos tecnológicos acarretem problemas ao desenvolvimento infantil? Uma das formas é a determinação de horários e limites. A pedagoga Cristiane Vieira destaca que é necessário que a própria família organize junto com a criança o tempo em que ela irá ficar na frente do computador ou do videogame. “É importante ter uma rotina organizada para que existam momentos de socialização, principalmente com a criança, nas coisas que são importantes para ela. Isso não significa que essa organização exija rigidez ou inflexibilidade”, ressalta a especialista.
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Jornal Nosso Bairro em Pauta: Compromissos e mais compromissos

Mais um projeto, mais um tema, mais um trabalho, mais um passeio e mais um compromisso na agenda das crianças. Hoje em dia, não são somente os adultos que andam com os horários lotados, estamos num tempo em que os pequenos começam a ter inúmeras tarefas a serem cumpridas durante o dia. Foi-se o tempo em que as crianças tinham o tempo todo somente para brincar.

Mas ter muitas atividades na agenda pode prejudicar o aprendizado das crianças e adolescentes, conforme informou a pedagoga Cristiane Vieira, professora da disciplina de desenvolvimento humano e aprendizagem. “A grande preocupação com uma rotina exagerada é de que a criança, de alguma forma desenvolva um estado de ansiedade que não é próprio dela. Muitas atividades requerem uma agenda de horários mais rígidos e isso pode fazer com que a criança em alguns casos, não consiga se dedicar a hábitos mais simples e que precisam fazer parte de sua rotina como é, por exemplo, brincar”, ressalta a pedagoga.

Outro fator importante é a organização da rotina, inclusive das atividades da escola. “As crianças têm sim necessidade de sentir seu ambiente organizado, pois isso faz com que se sintam mais seguras na sua própria organização física, psicológica, emocional e social. A criança ainda não possui maturidade para organizar algumas coisas sozinha e nesse sentido, o adulto responsável tem papel fundamental, pois acomoda as atividades necessárias no tempo que a criança tem inconstâncias em suas rotinas”, comenta a especialista. Então, uma rotina organizada ajuda no desenvolvimento da confiança e perseverança das crianças, qualidades imprescindíveis para sua autonomia no futuro.

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Nosso Bairro em Pauta: Vida Acelerada - O Consumo do Tempo

É cada vez mais presente em nossas vidas a sensação de que o tempo está mais curto e estamos sem tempo para realizar todos os afazeres do dia a dia. Reclamamos que não temos mais tempo de curtir a família e os amigos e, muitas vezes, não conseguimos nem ter um momento de lazer, por falta de tempo...

Será que o tempo diminuiu ou nós aumentamos o número de afazeres no nosso dia? Será que há algum outro vilão roubando o tempo? O dia continua tendo 24 horas, uma hora ainda têm 60 minutos e cada minuto permanece com 60 segundos. Mas o que será que aconteceu para a vida ficar tão acelerada, sem tempo para nos alimentarmos direito ou sentar para ler um livro?

É o tempo que organiza a vida, lembra o doutor em Filosofia, Henrique Keske: “Em primeiro lugar tem uma questão fundamental, que diz respeito, justamente, ao fato de que o tempo organiza a nossa vida. Nós somos seres finitos, o nosso tempo de vida aqui é limitado”, comenta o professor. Para a realização de todas as tarefas programadas, sejam elas: estudar, trabalhar, passear, brincar, alimentar-se, cuidar-se, estar com a família e os amigos, é preciso definir objetivos de vida. “Nós precisamos obrigatoriamente estabelecer prioridades. E as prioridades devem ser estabelecidas com base nos valores. Quanto vale essas tarefas para que eu invista nisto o tempo que eu tenho?”, ressalta Keske.
 
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